A série “Plano Alto” e o Prêmio Contigo

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“Plano Alto” é uma das séries finalistas no Prêmio Contigo, o que me deixa satisfeito e mesmo orgulhoso. No entanto, vou levantar algumas questões. Para quem é o prêmio de “melhor série”?  Nas demais categorias – melhor autor de novela, melhor atriz de novela, melhor ator de série etc – os agraciados são claramente identificados. No de “melhor série”, não. Uma primeira impressão é que seja do autor-roterista. Mas se é, por que isso não é explicitado? Talvez seja do conjunto. Então o prêmio é para as produtoras, Globo ou Record? Neste caso, o autor de séries é sumariamente ignorado?

Este mesmo “equívoco”, vamos chamar assim, aconteceu no prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, APCA, no caso com maior gravidade, por ser uma associação de críticos. O que significa essa tendência? Será que imaginam que as séries, ao contrário de novelas ou peças teatrais, têm uma autoria difusa, de identificação duvidosa? Ou nem têm autoria? Ou o quê?

Outro detalhe é a própria premiação. A novela “Vidas Opostas”, que escrevi em 2007, foi finalista deste prêmio. A festa aconteceu no Copacabana Palace. Desencovei o smoking e lá fui todo pimpão, cheirando a naftalina. A novela tinha tido uma repercussão enorme e eu achava bastante provável que fosse premiada. Nem de longe. Passei horas lá sentadinho batendo palmas para o pessoal da Globo – nada contra os colegas, claro, reporto apenas a situação – que levou todos os prêmios. De outra feita, acho que com “Ribeirão do Tempo”, também fui indicado para o prêmio. Uma mocinha da revista me ligou para convidar. Contei a ela o que tinha acontecido na vez anterior e expliquei que, embora seja admirador da dramaturgia da Globo, era chato fazer o papel de claque na premiação. Se em algum momento ela tivesse informação segura de que eu seria escolhido, que me avisasse e eu mais uma vez sacaria o smoking da naftalina.

Infelizmente, o quadro da TV aberta no Brasil é este. Existem os bacanas e os nem tanto.