Sonho Meu – Revista Contigo

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Revista Contigo – 24 de abril de 1994

O Segredo do Sucesso

Mesclando uma bela história de amor a temas polêmicos, a atração das seis vai se aproximando do final com um ibope tão bom quanto o de Mulheres de Areia

Quando souberam que Sonho Meu iria substituir a bem sucedida Mulheres de Areia, vários críticos de televisão torceram o nariz. Apesar de saber que a história era baseada em dois dos maiores sucessos do autor Teixeira Filho, Ídolo de Pano e A Pequena Órfã, saíram espalhando por aí que a Globo amargaria um tremendo fracasso. E pelo seguinte motivo: segundo eles, a emissora estaria enveredando para a mais completa mexicanização de suas novelas. Um perigoso caminho, que terminaria por fazê-la perder boa parte de seu público cativo.

Pois bem… Hoje, às vésperas de completar sete meses no ar, pode-se dizer que Sonho Meu acabou dando um tapa com luva de pelica nos pregadores do caos. Até porque, vem mantendo uma audiência média de nada menos do que 55 pontos. Ibope superior ao do badalado Jornal Nacional e só suplantado por Fera Ferida.

Mas a que deve tamanho sucesso? Teria o autor Marcílio Moraes encontrado uma fórmula mágica para atrair os telespectadores? Nada disso. O segredo dessa boa performance é fruto de inteligência e simplicidade. Ao mesmo tempo em que leva os telespectadores ao delírio com a tradicional história de amor vivida por Lucas (Leonardo Vieira) e Cláudia (Patrícia França). Sonho Meu apresenta tramas paralelas fortes e consistentes.

Uma análise fria dos números, no entanto, demonstra que seu grande poder de fogo reside no fato de colocar em pauta temas considerados polêmicos.  Prova disso é que os capítulos que abordaram o complexo de Édipo tiveram uma audiência de quase 60 pontos. Mesmo o público eventual acompanhou atentamente o drama de Ortega (Alexandre Lippiani) e Magnólia (Yoná Magalhães).

Para que ninguém pense que este é um exemplo isolado, vale registrar que também as aventuras etílicas de Francisca (Daniela Camargo) renderam bons números no ibope. Todas vez que ela tomava um porre daqueles e se entregava a Giácomo Madureira (Eri Johnson), Sonho Meu ganhava mais telespectadores. Talvez pessoas interessadas em descobrir quais os efeitos da champanhe na libido.

É bom frisar, contudo, que os temas já citados, a bigamia e a loucura de Jorge Candeias de Sá (Fábio Assunção) só deram o que falar graças ao bom desempenho dos intérpretes. Não à toa, Marcílio Moraes atribui a trajetória vitoriosa  de sua novela ao elenco que teve em mãos.

- Quando entramos no ar, no lugar de Mulheres de Areia, quase não acreditavam em nosso trabalho – relembra – Mas, graças à competência dos atores, demos a volta por cima.

 Como se não bastasse tudo isso, a atração das seis ainda tocou fundo num grupo que, atualmente, detém poder indiscutível sobre o controle remoto: a criançada. Tratando sempre com ternura, as peripécias de Lalesca (Carolina Pavanelli), da petizada do orfanato e do bom velhinho Tio Zé (Elias Gleizer), conseguiu cativar o público infanto-juvenil e ocupar um espaço que não era preenchido desde o final de Carrossel.